Leitura de um trecho da Bíblia Sagrada feita pelo 1º secretário Marcos Barbosa de Freitas. Atendendo a solicitação do senhor presidente, e todos de pé, foi feito um minuto de silêncio, em homenagem póstuma à funcionária da Casa Legislativa e grande amiga Mislene Aparecida de Oliveira, cujo passamento havia ocorrido no sábado, dia 14 de setembro de 2024. Em seguida houve a oração do Pai Nosso. Ato contínuo, o senhor presidente, comunicou que ainda como homenagem póstuma à nossa grande amiga Mislene, independentemente da religião que cada um professava, seguiria com a leitura de um lindo texto do grande poeta e romancista Vitor Hugo, na voz da nobre vereadora Maria Cristina Nobre Santos. A seguir, então, a vereadora Maria Cristina Nobre Santos, procedeu a leitura do seguinte texto: PARTIDA E CHEGADA. “Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram. Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: Já se foi. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha, quando estava próximo de nós. Continua tão capaz, quanto antes, de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: Já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: Lá vem o veleiro. Assim é a morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: Já se foi. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: Já se foi, no mais Além, outro alguém dirá feliz: Já está chegando. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena. A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos. Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário. A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro, partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da Imortalidade que somos todos nós. * * * Victor Hugo, poeta e romancista francês, que viveu no século XIX, falou da vida e da morte dizendo: A cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhante”; ao final houve uma grande salva de palmas, terminando, assim, a homenagem póstuma à funcionária da Câmara Mislene Aparecida de Oliveira que nos deixou no sábado, dia 14.09.24.